A formiga e a farsa do planejamento

Era uma vez uma formiga muito trabalhadora e inteligente. Trabalhava de sol a sol buscando e estocando seus alimentos, enquanto os outros animais brincavam e se divertiam.

 Tudo em sua vida era planejado: acordava todos os dias às 5 da manhã, degustava seu torrão de açúcar e ia trabalhar. Concluía as tarefas com o sol já se pondo e recomeçava tudo outra vez no dia seguinte.

 Então, ocorreu que um tenebroso inverno chegou e todos ficaram com inveja da formiga que tinha comida e estava aquecida o suficiente enquanto os outros animais morriam de frio e de fome.

 Daquela ocasião em diante, a formiga virou um exemplo de planejamento e organização. Seu método de ensino foi sistematizado e ela se tornou a professora titular da Escola do Trabalho Feliz. 

 Com o tempo, a formiga criou diversos documentos que eram preenchidos pelos outros mestres com objetivos, conteúdos e métodos de ensino e de avaliação das três disciplinas do curso: Técnicas de caça ao torrão de açúcar; Transporte de alimentos solo ou em dupla e Métodos e práticas de estocagem em formigueiro.

 Várias estações de frio passaram e o método não se alterou. Os professores já haviam decorado e ninguém mais levava o planejamento a sério. Escreviam qualquer coisa somente para constar. Não se importavam se havia formigas mais fortes ou fracas na sala de aula, determinavam quais as marcas de açúcar que as jovens formigas deviam escolher quando fossem à caça e estabeleceram objetivos quase impossíveis, entre eles que as alunas carregassem cinco torrões de açúcar por vez.

 Nos planos de aula da matéria de caça ao torrão constava que as formigas aprendizes deveriam saber como carregar peso em altura, correr em alta velocidade e escapar dos predadores. Com o tempo, os professores iam se esquecendo do que tinham que ensinar em cada aula e acabavam ensinando outras coisas desnecessárias para a sobrevivência das formiguinhas.

 Assim, a escola, que antes era o lugar que toda formiguinha gostaria de ir, foi se tornando cada vez mais burocrática, enterrada em objetivos formais e conteúdos inquestionáveis. Os professores notaram isso e decidiram tomar uma decisão para melhorar a escola: demitiram a formiga que já estava velha demais e andava reclamando muito dos planejamentos dos novos mestres.

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