A relação ensinar e aprender

Nesta parte dos estudos, você vai ter acesso a alguns trechos de textos com opiniões de especialistas sobre os conceitos de ensinar e aprender e a relação entre estes. A proposta é que você conheça visões variadas sobre o tema, formando assim uma verdadeira “salada de conhecimento”.

 A primeira ideia é de Daniela Ruiz de Mendonça, especialista em processos de aprendizagem, que escreveu um texto para o site Webartigos em março deste ano. A autora acredita que o professor não pode ser como o médico, que tem a visão de apenas um órgão do corpo humano e adota um único remédio, mas deve ser mais atento às individualidades e diferenças.

 Se você quiser ler o artigo completo, acesse o link http://www.webartigos.com/articles/15446/1/reflexoes-sobre-ensinar-e-aprender/pagina1.html.

 “O paradigma que enfrentamos é o da modernidade que vê o homem como um ser fragmentado. Na medicina temos um especialista para cada parte do nosso corpo, menor que seja ela haverá um médico receitando um remédio, que também serve para outras partes do nosso corpo, e que promete resolver o problema que surgiu, mesmo não se sabendo o porquê deste problema. Este paciente não é ouvido no seu todo. Apenas é ouvida a queixa sobre a região específica do corpo. Os motivos que ocasionaram o problema são desconsiderados.

Ainda estamos diante do capitalismo selvagem e somos liderados pela cultura americana que rompe diálogos e aplicam remédios de efeitos rápidos. O médico não quer ouvir o paciente, quer medicá-lo. É a corrida que faz com que um atropele o outro. Fazendo um paralelo à educação, os professores acabam dando um único “remédio” que servirá para a turma toda, menosprezando as individualidades, as diferenças. O caminhar de cada um. Recebem os alunos como se as suas cabeças fossem vazias e precisem ser preenchidas pelo saber do professor. E depois testam os alunos para saber o quanto eles foram capazes de absorver deste saber. Como receber uma única resposta da turma? Se cada resposta tem uma história, uma bagagem, por que querer que todos os alunos sejam como robôs dando respostas iguais?

E os problemas de aprendizagem que surgem como são tratados? Ainda se acha que o problema é do aluno, seja orgânico, como se pensava no início das pesquisas sobre as dificuldades de aprendizagem, seja por incompetência, como se pensa atualmente por muitos profissionais”.

O mestre em Educação João Beauclair acredita que o professor deve assumir o papel de mediador nos processos de aprendizagem. Veja o que ele diz em artigo de 2007:

 “’Os professores ideais são os que se fazem de pontes, que convidam os alunos a atravessarem,  e depois, tendo facilitado a travessia, desmoronam-as com prazer,  encorajando-os a criarem as suas próprias pontes.’
Nikos Kazantzakis

O trecho escolhido acima como citação remete nosso pensar aos desafios de sermos pontes, enquanto ensinantes, aos nossos aprendentes. Ousar criar novos conceitos, pois também é interessante, para dar nova carga semântica as palavras e ações que necessitam nosso constante revisitar. Assim, as aprendizagens podem ganhar novas roupagens e impulsionar nossa criatividade, necessária para processos reflexivos mais abrangentes.

E o processo de ensino-aprendizagem, o que se compreende por processo?

Etimologicamente falando processo quer dizer ‘conjunto de atos por que se realiza uma operação qualquer. Seqüência contínua de fatos que apresentam certa regularidade; andamento; desenvolvimento […]’. (Grande Dicionário Larousse, 1999, p.742).

Pragmaticamente entendemos por processo o movimento de sujeitos em espaços-tempo, interagindo dinâmica e dialogicamente em busca de atingir objetivos individuais e coletivos.

No caso da prática pedagógica o processo refere-se ao ensino e a aprendizagem, e o espaço tempo em que se dá esse processo é a sala de aula, o laboratório, o campo de estágio entre outros. Para Masetto (2003, p. 88), tradicionalmente a sala de aula tem se constituído como um espaço físico e um tempo determinado durante o qual o professor transmite seus conhecimentos e experiências aos alunos.

Ensino e aprendizagem ou ensino-aprendizagem, que diferença faz?

Analisando do ponto de vista etimológico ensino e aprendizagem são duas categorias com características próprias: ensino pode ser considerado como um movimento liderado e coordenado por um sujeito profissional – ensinante – habilitado para intervir, mediar a situação de forma a socializar competentemente os ‘saberes’ produzidos historicamente pela sociedade. Aprendizagem é a consequência dessa mediação, resultando na apropriação, pelos sujeitos aprendentes, de ‘saberes’, conhecimentos, habilidades, atitudes que depois de internalizados serão socializados”.

Se interessou no artigo? Leia-o completo no site http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/664981.

 Por último, você vai conhecer outra ideia sobre ensino-aprendizagem debatida por Tania Maria de Melo Moura doutora em Educação pela PUC de São Paulo. Separamos em um quadro alguns trechos do texto da autora em que ela relaciona características do ensino e da aprendizagem defendidas por alguns dos principais autores do campo educacional. Ficou curioso para saber mais? Então, clique no link a seguir para ter acesso ao texto completo.

Link:

http://www.cedu.ufal.br/posgraduacao/ppge/arquivos/OS%20DESAFIOS%20DA%20FORMACAO%20DE%20PROFESSORES%20NO%20PROCESSO%20DE%20INCLUSAO%20DE%20ALUNOS%20COM%20NECESSIDADES%20EDUCACIONAIS%20ESPECIAIS.doc

*clique sobre a tabela para ampliá-la

A autora complementa que:

 “No campo mais específico das práticas pedagógicas, entende-se que o conhecimento sobre esses níveis permitirá uma revisão e reformulação total dos processos de planejamento, desenvolvimento e avaliação das práticas pedagógicas escolares, tradicionalmente concebidas e organizadas a partir da identificação do nível de desenvolvimento real dos alunos, daquilo que eles sabem fazer, do seu desenvolvimento retrospectivo, do produto do seu desenvolvimento e de sua aprendizagem, sem tomar em consideração seu desenvolvimento prospectivo.

A partir da teoria histórico-cultural é possível entender que mesmo ensino e aprendizagem tendo suas especificidades, do ponto de vista semântico ensino e aprendizagem estão totalmente interligados e dependentes, não ocorrem de forma separada. O ensino tem como objetivo último a aprendizagem e a aprendizagem só ocorre porque existe o ensino. Freire (1997) explica essa correlação mostrando que o homem só passou a ensinar quando descobriu que era capaz de aprender. Foi desenvolvendo a capacidade de aprender que ele se descobriu capaz de ensinar.

Nessa perspectiva os professores enquanto ensinam aprendem e os alunos enquanto aprendem ensinam.”

 Depois de conhecer o que dizem alguns estudiosos da educação, veja algumas definições sobre ensinar e aprender.

 Ensinagem

“Prática social complexa efetivada entre professor e aluno, englobando tanto a ação de ensinar quanto a de apreender”.

Anastasiou

Ensinar

– Do latim insignare: marcar com um sinal – buscar e despertar para o conhecimento. Compete duas dimensões:

Intenção e sistematização: ter intenção de ensinar algo de modo de forma organizada.

Resultado (domínio de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades, hábitos, atitudes, convicções).

– Como apresentação e explicação de conteúdo;

 Unidade dialética processual: papel condutor do professor e a auto-atividade do aluno

Aprender e apreender

Do latim apprehendere: segurar, prender, pegar, entender, compreender, agarrar.

Aprender

Derivado de apreender por síncope: tomar conhecimento, reter na memória mediante estudo.

Ensinar e aprender

Tarefa assombrosamente complexa, bilateral, intencional.

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